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| O meu prédio ao fundo à esquerda, varandas do 3º e 4º pisos. |
Há quem diga (eu, por exemplo) que Angola é um país de corruptos, um país que só olha ao presente, que não pensa a longo prazo, um país "sujo", onde a pobreza e as desigualdades são imagem de marca. O seu desenvolvimento é baseado na construção de torres, e mais torres (no centro de uma cidade que foi bonita e que podia ainda ser mais, se não fosse a atitude capitalista sem nexo), e mais empreendimentos de "luxo" para aqueles que cá vêm ajudar a construir essas torres, esses empreendimentos, e a ajudar no "desenvolvimento" do país. Parece que o conceito de desenvolvimento está um pouco distorcido (já nem falo em sustentável... falo em desenvolvimento básico). Onde está a aposta na educação, no saneamento básico, no acesso a alimentação, no acesso a alojamento digno, no emprego, na construção de um futuro próspero para a população? Mãe Angola? Que raio de mãe, abastada, diga-se de passagem, faz isto aos seus filhos? Madrasta talvez...
Não sou uma pessoa que se adapte bem a uma rotina monótona e constante, em que a liberdade individual seja limitada. Esta é a maior limitação e que mais me perturba.
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| Sessão de leitura + natação com óculos e tudo. |
Os meus dias não têm sido monótonos, porque felizmente consigo entreter-me e arranjar planos (até acabo por não ter tempo para tudo o que gostaria de fazer... tal como em Portugal).
E tento viver, recuso-me a sobreviver aqui. Não tenho intenções de comer todos os dias massa com atum (o célebre) como se de uma acampamento juvenil de cinco dias se tratasse.
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| Só falta alguém vir trazer sumos de fruta fresca... |
Não faço questão em ficar em casa para não gastar dinheiro na noite, num restaurante, numa saída onde se socializa, se desanuvia, se convive com os demais e que é uma das necessidades básicas do ser humano. E aqui conhecem-se pessoas fascinante, com muita vida. É claro que depois há as outras... consegue-se sentir a perca de fé num futuro risonho para as suas vidas nos seus olhos e linguagem.
Não vou ficar em casa a vegetar no sofá em frente à televisão à espera que esta tenha a inteligência para me entreter, de fazer com o tempo voe, em vez de ser ao contrário. Recuso-me a estupidificar, mesmo que tenha um downgrade de cultura (in loco) durante semanas ou meses.
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| Os treinos de natação à noite nestas piscinas do Belas Business Park são uma coisa magnífica, revigorante, mesmo com as luzes apagadas. Por cima a Lua. |
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| Sim, é bom, uma espreguiçadeira para me espreguiçar quando quero estar de papo para o ar (é raro...). |
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| É a tão desejada liberdade, aquela a que nos acostumamos nos países desenvolvidos, de podermos fazer o que queremos quando queremos, que aqui nos falta... |
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| Momentos de leitura... mas com sombra porque este Sol tem uma potência... é um solário express natural. |
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| Até parece ser um pequeno resort... este condomínio e tantos outros que aqui em Talatona nasceram há 1 ano. |
Mas não quero estar só a dizer mal. Não é só assim. Há coisas boas. A fruta :) Nunca comi mangas tão boas como aqui, a música que se entranha em nós como um vírus poderoso, o clima que dá para dançarmos sempre ao relento e o desejo de mudança e de aprendizagem por alguns jovens (apesar de a larga maioria preferir o mais fácil, roubar, apostar da cultura do ter, viver o presente, sobreviver com o que consegue arranjar hoje). Mas nota-se alguma vontade de mudar por parte de cada vez mais gente, pessoas mais informadas (os que estudam e os que tiveram a oportunidade de estar fora do país por algum tempo).
Já falta pouco para acabar o 1º round de 9 semanas - menos de três semanas.







