Domingo, 11 de Março de 2012

Aqui, na madrasta Angola

O meu prédio ao fundo à esquerda, varandas do 3º e 4º pisos.
Há quem diga (eu, por exemplo) que Angola é um país de corruptos, um país que só olha ao presente, que não pensa a longo prazo, um país "sujo", onde a pobreza e as desigualdades são imagem de marca. O seu desenvolvimento é baseado na construção de torres, e mais torres (no centro de uma cidade que foi bonita e que podia ainda ser mais, se não fosse a atitude capitalista sem nexo), e mais empreendimentos de "luxo" para aqueles que cá vêm ajudar a construir essas torres, esses empreendimentos, e a ajudar no "desenvolvimento" do país. Parece que o conceito de desenvolvimento está um pouco distorcido (já nem falo em sustentável... falo em desenvolvimento básico). Onde está a aposta na educação, no saneamento básico, no acesso a alimentação, no acesso a alojamento digno, no emprego, na construção de um futuro próspero para a população? Mãe Angola? Que raio de mãe, abastada, diga-se de passagem, faz isto aos seus filhos? Madrasta talvez...

Não sou uma pessoa que se adapte bem a uma rotina monótona e constante, em que a liberdade individual seja limitada. Esta é a maior limitação e que mais me perturba.

Sessão de leitura + natação com óculos e tudo.
Os meus dias não têm sido monótonos, porque felizmente consigo entreter-me e arranjar planos (até acabo por não ter tempo para tudo o que gostaria de fazer... tal como em Portugal).

E tento viver, recuso-me a sobreviver aqui. Não tenho intenções de comer todos os dias massa com atum (o célebre) como se de uma acampamento juvenil de cinco dias se tratasse. 

 


Só falta alguém vir trazer sumos de fruta fresca...

Não faço questão em ficar em casa para não gastar dinheiro na noite, num restaurante, numa saída onde se socializa, se desanuvia, se convive com os demais e que é uma das necessidades básicas do ser humano. E aqui conhecem-se pessoas fascinante, com muita vida. É claro que depois há as outras... consegue-se sentir a perca de fé num futuro risonho para as suas vidas nos seus olhos e linguagem.

Não vou ficar em casa a vegetar no sofá em frente à televisão à espera que esta tenha a inteligência para me entreter, de fazer com o tempo voe, em vez de ser ao contrário. Recuso-me a estupidificar, mesmo que tenha um downgrade de cultura (in loco) durante semanas ou meses.

Os treinos de natação à noite nestas piscinas do Belas Business Park são uma coisa magnífica, revigorante, mesmo com as luzes apagadas. Por cima a Lua.
Sim, é bom, uma espreguiçadeira para me espreguiçar quando quero estar de papo para o ar (é raro...).

É a tão desejada liberdade, aquela a que nos acostumamos nos países desenvolvidos, de podermos fazer o que queremos quando queremos, que aqui nos falta...
Momentos de leitura... mas com sombra porque este Sol tem uma potência... é um solário express natural.

Até parece ser um pequeno resort... este condomínio e tantos outros que aqui em Talatona nasceram há 1 ano.
Mas não quero estar só a dizer mal. Não é só assim. Há coisas boas. A fruta :) Nunca comi mangas tão boas como aqui, a música que se entranha em nós como um vírus poderoso, o clima que dá para dançarmos sempre ao relento e o desejo de mudança e de aprendizagem por alguns jovens (apesar de a larga maioria preferir o mais fácil, roubar, apostar da cultura do ter, viver o presente, sobreviver com o que consegue arranjar hoje). Mas nota-se alguma vontade de mudar por parte de cada vez mais gente, pessoas mais informadas (os que estudam e os que tiveram a oportunidade de estar fora do país por algum tempo).

Já falta pouco para acabar o 1º round de 9 semanas - menos de três semanas.

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Um anúncio da caixa mágica que ficou.

Há coisas que vemos na caixa mágica e que nos marcam. Três coisas fazem deste anúncio um dos que ficou na minha memória (e considerado um dos melhores de sempre): - as bolas saltitantes da nossa infância (o que eu fazia por ter aquelas bolas!) - uma cidade que tenho/preciso/quero visitar - uma música sublime. (Mas não me fez comprar a televisão :p)

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

É a Saudade...

... que me prende a Portugal, esse sentimento especial (nostálgico, agudo e desconcertante por vezes) escrito numa única palavra (muito Portuguesa, pelo que dizem).


... mas já chega...

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Se não for indiscrição...

.. o que te prende a Portugal?

Fazem-me (e oiço por aí) esta pergunta vezes sem conta quando estou fora de Portugal por motivos profissionais e quando tenho uma data de regresso. O que é engraçado é que acontece mais quando estou em Angola... todos querem voltar mas ninguém quer assumir isso. Querem que os outros também fiquem, como que em solidariedade.

Acho que resposta está neste grande filme, "Up in the Air". É fácil perceber porquê.


Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

Dia dos Namorados (Desnaturados)

Dia dos Namorados... humm... sempre me causou um ataque de urticária aguda quando oiço esta frase e quando se aproxima a data lembro-me sempre das mesmas coisas.

É nesse dia que a crise não existe, é nesse dia que os restaurantes inventam desesperadamente menus eloquentes com refeições afrodisíacas e que (surpresa das surpresas) levam os casalinhos todos em fila lá para dentro, como cordeirinhos bem amestrados pela sociedade do consumismo, é nesse dia que se nos fazem lembrar que há tantos passeios e actividades que podemos fazer com a pessoa amada, é nesse dia que muitos hotéis com suposto charme têm as camas ocupadas foram da época alta (lá se vai o negócio das casas de alterne e das pensões baratas nesses dias... coitados...não merecem tão coisa, com a crise que existe...). É nesse dia que muita coisa acontece. 
  
E nos outros 364 dias do ano? Que é feito da surpresa, da ideia de ir jantar apenas e simplesmente porque apetece passar tempo de qualidade com a outra pessoa, do que é feito das ofertas de flores e outras oferendas características desse dia num outro dia qualquer do ano? Do que é feito do chegar a casa e largar tudo e ir dar um beijo e olhar a outra pessoa nos olhos e dizer que tem saudades dela, em vez de ir a correr pegar no comando porque o Benfica vai começar a jogar? E pensar num fim de semana para quebrar a rotina, para sair, fazer planos, não? Se se ama, não é preciso haver um dia para comemorar esse sentimento de união, para se planear com a outra pessoa uma coisa diferente. Se assim fosse... coitados de nós.

Não critico quem comemora o dia dos namorados mas sim quem tem o descaramento de descurar a relação nos outros dias do ano, a pensar que nesse dia (e no aniversário porque pode-se dar uma jóia e pronto - se calhar até resulta...) irá compensar o que não fez em 360 e tal dias no ano. Namorados(as) desnaturados(as), isso sim. E tenho pena de quem, do outro lado, se contenta com isso.
 
(lembrei-me de um bom filme para se ver agarradinho no tempo frio que está em Portugal - Love Actually)