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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados (Desnaturados)

Dia dos Namorados... humm... sempre me causou um ataque de urticária aguda quando oiço esta frase e quando se aproxima a data lembro-me sempre das mesmas coisas.

É nesse dia que a crise não existe, é nesse dia que os restaurantes inventam desesperadamente menus eloquentes com refeições afrodisíacas e que (surpresa das surpresas) levam os casalinhos todos em fila lá para dentro, como cordeirinhos bem amestrados pela sociedade do consumismo, é nesse dia que se nos fazem lembrar que há tantos passeios e actividades que podemos fazer com a pessoa amada, é nesse dia que muitos hotéis com suposto charme têm as camas ocupadas foram da época alta (lá se vai o negócio das casas de alterne e das pensões baratas nesses dias... coitados...não merecem tão coisa, com a crise que existe...). É nesse dia que muita coisa acontece. 
  
E nos outros 364 dias do ano? Que é feito da surpresa, da ideia de ir jantar apenas e simplesmente porque apetece passar tempo de qualidade com a outra pessoa, do que é feito das ofertas de flores e outras oferendas características desse dia num outro dia qualquer do ano? Do que é feito do chegar a casa e largar tudo e ir dar um beijo e olhar a outra pessoa nos olhos e dizer que tem saudades dela, em vez de ir a correr pegar no comando porque o Benfica vai começar a jogar? E pensar num fim de semana para quebrar a rotina, para sair, fazer planos, não? Se se ama, não é preciso haver um dia para comemorar esse sentimento de união, para se planear com a outra pessoa uma coisa diferente. Se assim fosse... coitados de nós.

Não critico quem comemora o dia dos namorados mas sim quem tem o descaramento de descurar a relação nos outros dias do ano, a pensar que nesse dia (e no aniversário porque pode-se dar uma jóia e pronto - se calhar até resulta...) irá compensar o que não fez em 360 e tal dias no ano. Namorados(as) desnaturados(as), isso sim. E tenho pena de quem, do outro lado, se contenta com isso.
 
(lembrei-me de um bom filme para se ver agarradinho no tempo frio que está em Portugal - Love Actually)
 


Amor e Pieguice

Parece que podem estar de mãos dadas estas duas palavra. Depois do nosso brilhante e ilustre (e insensível quanto baste) primeiro ministro (eu sei que é com letra maiúscula mas nesta terra não há políticos, dos "partidos de gravata", que mereçam ser tratados com maiúscula) Passos Coelho ter dito esta brilhante frase, que temos que ser menos piegas, lembrei-me logo na associação que essa palavra tem com todas as formas de mau tratamento do ser humano (por exemplo, nos tempos da escola).

Oh meus amigos. É claro que podemos ser piegas, faz parte. Sejamos piegas mas unidos, contra os que nos dizem para não o ser. Em primeiro, é um país democrático e eu se quiser ser piegas sou e acabou. Quando os "não piegas" forem afastados (não sei porque é que esses "não piegas" andam sempre com carradas de seguranças e polícia atrás..), quero ver o que é que eles dizem de quem é a culpa (porque parece que há sempre culpados para tudo...) e depois.... por favor, não sejam piegas.

Ah, mas a relação disso com o amor? É esta notícia do Inimigo Público:

Passos Coelho acaba com a celebração do Dia dos Namorados para tornar os portugueses menos piega.

;)

É o Amor, Sr. Valentim

Não conseguimos chegar a uma definição única. Nunca chegaremos. Nem faria sentido, perderia o encanto. 

Não faz mal porque o facto de cada um de nós o sentir de maneira diferente e de termos conceitos diferentes é que torna essa palavra tão concreta e ao mesmo tempo tão indefinível e tão carismática. Mas isto não nos impede de fazermos juízos injustos aos outros quando dizem que amam: porquê, tens a certeza, cuidado, não deve ser amor, deve ser só paixão, etc etc, coisas que se dizem...

Para quê isto? digo eu. Não basta apenas ouvir aquilo que o outro sente (porque se resume "apenas" a isto, é um sentimento, não uma equação matemática) sem termos que, num acto de puro egoísmo e incompreensão, olhar para nós mesmos numa tentativa de relacionar o que ouvirmos com a nossa própria experiência, com o que alguma vez sentimos ou vivemos para encontrar um padrão, uma semelhança para servir sustento para a nossa opinião (conselho!?) ao outro?

Sentir. Apenas isso. Não há que questionar porquê. Não vale a pena. Deixai-os amar, sentir, errar, corrigir, viver.. é para isso que a vida serve.




terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Hurt

"And you can have it all." 

Depois de ter visto o filme Walk the Line há uns anos atrás fiquei fascinado por este artista, Johnny Cash. Interpretações no à parte (excelentes excelentes) fiquei rendido à sua paixão pela June, ao seu talento e à sua energia (e à sua loucura).

Um homem de coração despedaçado mas que conseguiu encontrar-se no tempo e no espaço com o seu destino, preencheu o vazio que sentia desde que a viu. E desde então o puzzle ficou completo, o mundo acabou por fazer sentido e a vida teve um propósito. Mas June morreu antes, e a dor sente-se na voz quando canta esta bela versão de uma música dos Nine Inch Nail's, "Hurt".


E quem me dera poder presenciar amores como este nos dias que correm e poder ouvir mais músicas como esta, que têm tudo, tudo o que se espera de uma música: que nos toque e se sinta o que se canta.