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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Se não for indiscrição...

.. o que te prende a Portugal?

Fazem-me (e oiço por aí) esta pergunta vezes sem conta quando estou fora de Portugal por motivos profissionais e quando tenho uma data de regresso. O que é engraçado é que acontece mais quando estou em Angola... todos querem voltar mas ninguém quer assumir isso. Querem que os outros também fiquem, como que em solidariedade.

Acho que resposta está neste grande filme, "Up in the Air". É fácil perceber porquê.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados (Desnaturados)

Dia dos Namorados... humm... sempre me causou um ataque de urticária aguda quando oiço esta frase e quando se aproxima a data lembro-me sempre das mesmas coisas.

É nesse dia que a crise não existe, é nesse dia que os restaurantes inventam desesperadamente menus eloquentes com refeições afrodisíacas e que (surpresa das surpresas) levam os casalinhos todos em fila lá para dentro, como cordeirinhos bem amestrados pela sociedade do consumismo, é nesse dia que se nos fazem lembrar que há tantos passeios e actividades que podemos fazer com a pessoa amada, é nesse dia que muitos hotéis com suposto charme têm as camas ocupadas foram da época alta (lá se vai o negócio das casas de alterne e das pensões baratas nesses dias... coitados...não merecem tão coisa, com a crise que existe...). É nesse dia que muita coisa acontece. 
  
E nos outros 364 dias do ano? Que é feito da surpresa, da ideia de ir jantar apenas e simplesmente porque apetece passar tempo de qualidade com a outra pessoa, do que é feito das ofertas de flores e outras oferendas características desse dia num outro dia qualquer do ano? Do que é feito do chegar a casa e largar tudo e ir dar um beijo e olhar a outra pessoa nos olhos e dizer que tem saudades dela, em vez de ir a correr pegar no comando porque o Benfica vai começar a jogar? E pensar num fim de semana para quebrar a rotina, para sair, fazer planos, não? Se se ama, não é preciso haver um dia para comemorar esse sentimento de união, para se planear com a outra pessoa uma coisa diferente. Se assim fosse... coitados de nós.

Não critico quem comemora o dia dos namorados mas sim quem tem o descaramento de descurar a relação nos outros dias do ano, a pensar que nesse dia (e no aniversário porque pode-se dar uma jóia e pronto - se calhar até resulta...) irá compensar o que não fez em 360 e tal dias no ano. Namorados(as) desnaturados(as), isso sim. E tenho pena de quem, do outro lado, se contenta com isso.
 
(lembrei-me de um bom filme para se ver agarradinho no tempo frio que está em Portugal - Love Actually)
 


domingo, 5 de fevereiro de 2012

De volta às grandes bandas sonoras

Não dá, não dá para ficar indiferente a este clip que aparece no filme de David Fincher (este grande mestre do cinema), The Girl With the Dragon Tatto (ou melhor, Os Homens que Odeiam as Mulheres, que é a correcta tradução do título do livro sueco para português, raio dos americanos que traduzem tudo para o que lhes apetece :p) na sequência inicial do título do filme.


Para além de ser completamente a alucinado, marado, tresloucado mas visualmente incrível, tem por detrás uma música excelente, composta e interpretada por artistas que eu gosto imenso e que onde tocam tudo se transforma num delírio artístico. Trent Reznor (e Atticus Ross) e com a voz da vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, Karen O., tornam esta cover dos Led Zeppelin, "Immigrant Song", numa malha de se lhe tirar o chapéu. Já há muito tempo que não via uma música de início de um filme tão poderosa. Talvez as que me marcaram mais foram as dos filmes Matrix (se bem que não me lembro exactamente se havia música inicial mas a banda sonora é potentissíma) e dos filme James Bond (aqui sim, sempre músicas incríveis no início e que ficaram para a posterioridade, tais como as músicas de Tina Turner e Garbage, por exemplo, ainda na era Pierce Brosnan). 

É assim, não há discussão, os grandes filmes têm sempre grandes bandas sonoras.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Hurt

"And you can have it all." 

Depois de ter visto o filme Walk the Line há uns anos atrás fiquei fascinado por este artista, Johnny Cash. Interpretações no à parte (excelentes excelentes) fiquei rendido à sua paixão pela June, ao seu talento e à sua energia (e à sua loucura).

Um homem de coração despedaçado mas que conseguiu encontrar-se no tempo e no espaço com o seu destino, preencheu o vazio que sentia desde que a viu. E desde então o puzzle ficou completo, o mundo acabou por fazer sentido e a vida teve um propósito. Mas June morreu antes, e a dor sente-se na voz quando canta esta bela versão de uma música dos Nine Inch Nail's, "Hurt".


E quem me dera poder presenciar amores como este nos dias que correm e poder ouvir mais músicas como esta, que têm tudo, tudo o que se espera de uma música: que nos toque e se sinta o que se canta.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Toy Story

Foi no outro dia, quando estava a arrumar uns caixotes na antiga casa dos meus pais, que me deparei com os meu brinquedos de infância. Eles devem sentir o mesmo que o Woody, Buzz e esse pessoal todo do Toy Story 3. Nunca mais lhes peguei, nunca mais fiz torneios de combate com os meus G. I. Joes nem campeonatos de fórmula 1 ou autocross com os meus carrinhos em miniatura (ou mesmo com os Micro Machines). Nunca mais joguei ao berlinde nem fiz corridas, até gastar as pilhas, com o meu Nikko (não, não é nenhum gato, é o meu carro tele comandado - o quanto ele sofreu nas minhas mãos e ainda mexe!). A nostalgia apoderou-se de mim naquele momento.

O mesmo, ou parecido vá, aconteceu comigo ao ver este filme. Penso que todos nós (leia-se, os sortudos que tiveram brinquedos na infância) nos identificamos com a história do Andy. Mas há uma pequena diferença: eu nunca, repito, nunca, levaria um boneco comigo para a faculdade. Que seja bem claro :) Tal como no filme, já tenho lá um conjunto deles (os que menos me dizem) prestes a serem levados para novos donos. Por o que interessa é brincar!

A animação ganha cada vez mais um espaço privilegiado no coração de todos os cinéfilos e talvez daqueles que diziam "Animação? Isso de bonecada.... não gosto! É para crianças!". Com a Pixar, essa fábrica de magia, a história é outra. Que ponham mais filmes destes cá para fora! Ainda está para o vir (bem, espero que não chegue) o dia em que a Pixar lançará um mau filme. Penso que não está para breve...


Sou e serei um grande fã de animação. Com filmes destes, é impossível não ficar? E aqui o 3D tem também a sua piada. Sem dúvida, um dos filmes do ano.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jim Rules!

Bem, lá terei que fazer a tal pergunta: será que abordar o assunto da homossexualidade está na moda? Está a ficar gasto, meus senhores, ainda não viram? Já passou a época da novidade, já não é uma coisa nova, isso do out of the closet. Estamos a chegar perto do limite de overdose em relação a este assunto.

Mesmo sendo um assunto exaustivamente debatido e abordado no cinema, há certas pessoas que o tornam sempre diferente e atractivo. Desta vez, e depois do completo falhanço de Sacha Baron Cohen em "Bruno" (epah aqui não há ponta onde se lhe pegue!), é o brilhante Jim Carrey que agora vem com uma nova pérola da comédia, "I Love You Phillip Morris". Com a sua soberba comédia física, de certeza que este filme vai fazer-me sair do cinema de lágrimas nos olhos de tanto rir. Não houve nenhum filme em que ele me desiludiu. Para mim o actor mais versátil da sua geração na área da comédia.

É arriscado resumir e dizer que é uma comédia romântica homossexual baseado numa histórica verídica e personagens reais?



Ok, ainda só vi o trailer e ouvi uns comentários na blogosfera mas... isto promete.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Efeito Summer


"This is a story of 'boy meets girl'", o narrador diz, terminando o seu discurso introdutório do filme (500) Days of Summer com "This is not a love story, this is a story of love".

Não sabia bem do que este filme tratava antes de o decidir ver. Apenas sabia que, por alguma boa razão, estava nomeado para melhor filme na categoria de comédia/musical dos globos de ouro deste ano. Ahh, e depois vi que também esteve presente no festival de Sundance (palavras para quê) de onde saem sempre grandes malhas. E este não foge à regra!

No outro dia, mesmo antes de começar uma nova semana de trabalho, vejo este filme que ficou na minha cabeça e certamente que ficará durante muito tempo como um dos meus favoritos no estilo. Não é um conto de fadas nem uma comédia romântica pirosa. É actual, jovem, carismático, divertido e... que nos toca e com o qual nos identificamos. A história cativante, muito bem contada e despretensiosa em torno da ligação entre as duas personagens principais com desejos antagónicos. Existem certezas e dúvidas sobre todos aqueles sentimentos cuja definição não está nos compêndios, existe a raiva pelos greeting cards e até existem as idas ao IKEA (onde é que eu já vi isto). Não costumo querer rever filmes (há tantos para quê perder tempo com os que já estão vistos... mas este veio abalar esta teoria) mas este fez mexer o meu braço, mão e dedo que queria carregar de novo no play. E a banda sonora? Magistralmente adaptada ao filme, com a senhora Regina Spektor em grande destaque (e a tão badalada esposa do presidente Sarkozy) com músicas brilhante para mim como a Hero e a Us.


Este é, provavelmente, o post mais "rábiló" que escrevi... mas que se lixe.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hubble

Parece que teremos em breve uma outra incrível experiência 3D nos cinemas e desta vez com um tema que me fascina profundamente!



sexta-feira, 5 de março de 2010

Noite de cinema

No meu tempo de estudante, na altura em que ficar acordado até tarde era mais que habitual, quase um ritual, a noite da entrega dos Oscars não era excepção. Era uma noite diferente, sentado em frente à TV, a comer qualquer coisa que apanhasse à mão, embora geralmente fosse chocolates, batatas fritas, enfim, coisas claramente saudáveis, e a vibrar com cada declaração do vencedor.

Agora já não é assim... por algumas razões. Por um lado, a noção que a eleição de O melhor está muito ligada ao "desporto" mais praticado nos EUA, o lobby. Os grandes estúdios apostam milhões para que o seu filme esteja na lista da frente da corrida aos Oscars por isso, só por si, representa depois um acréscimo do número de espectadores nas salas de cinema e na compra de DVDs, etc. Não gosto destes esquema. Por isso começei a dar mais atenção aos prémios de cinema menos pomposos, aos outros festivais que ao longo do ano se realizam. É claro que estes também não estão livres de sofrerem do mesmo mal, agora ou no futuro, mas como são menos famosos, e talvez mais independentes de Hollywood, talvez se consiga ter um rigor maior na escolha dos nomeados e vencedores. Por outro lado, não ando com pachorra para estar a bater com a cabeça no teclado o dia todo de 2ª feira e a matar neurónios (aqueles que me ajudam a escolher quais os bons filmes a ver, por exemplo) apenas por causa de uns prémios que até posso ver depois (se alguém me gravar :p).

Mas, no outro lado da moeda, está aquela mística em torno do cinema, aquela arte que nos vai fascinando e maravilhando a cada abençoada 5ª Feira e é por isto que não desligo completamente. Dou por mim a contar os dias para a divulgação dos nomeados e dou por mim a contar as noites que faltam para a entrega dos prémios, apesar de saber que não vou assistir à cerimónia em directo e que só irei conhecer os vencedores assim que acordo com o meu rádio-despertador "E ontem foi a grande dos Oscares. O grande vencedor desta edição foi .... Avatar.". É previsível não? Aqui vão as minhas apostas, a vermelho, e os meus desejos, a azul :)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Noites de Mirtilo

No outro dia vi o filme My Blueberry Nights. Não é uma obra prima da 7ª arte mas também não é, de todo, um filme que esquecemos pouco tempo depois. É um filme sobre o amor, a separação, os encontros e desencontros, a perda e a procura. Por mais que não queira dar o braço a torcer, tenho que ser sincero e dizer que o Jude Law até é bom actor. Ao lado da Norah Jones, que por sua vez também não está nada mal (ok, ela também não tem um papel que puxe muito por isso), Jude Law é intenso na sua naturalidade. Depois, uma das minhas actrizes fetiche (apenas cinomatograficamente falando) Natalie Portman compõe o ramalhete (nunca percebi bem esta expressão... será mesmo só por causa dos Maias?!).


"As Minhas Noites de Mirtilo" (pelo menos quero pensar que título em português ficaria bem assim, estranho :p) tem uma estética Nova Iorquina cool, imagens típicas dos filmes filmados à noite, nos bares, com diálogos calmos e com uma agitada sucessão de sentimentos, com cores no ecrã que nos chama para o filme e nos envolve sem quase darmos conta. Não sou nenhum expert nisto mas gostei bastante da maneira como foi filmado e da fotografia, simples, talvez, mas agradável e bem adequada à história.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Woody is back

Tenho que confessar que fui daqueles que dizia que Woody Allen não realizava grandes filmes, que as suas histórias eram muito paradas (até ver um filme de Manoel de Oliveira). Mas fui daquelas pessoas que criticava, ou pelos menos dizia que não gostava, sem antes ter visto. Mas, numa tentativa de perceber o que dizia (é o mínimo), vi o filme Small Time Crooks há uns anos atrás e que, mesmo não sendo uma obra prima nem um dos melhores do seu reportório, me prendeu aos encantos dos enredos das histórias de Woody Allen. Desde então, ainda não perdi nenhum. E nunca fico desapontado. Desta vez foi o Whatever Works, que estreou em Portugal há pouco tempo.





É um estilo de cinema onde a história é focada nas pessoas, nas suas vidas normais, nas suas crises existencialistas, nos temas que todos nós falamos ou pensamos no nosso dia a dia. Vale sempre a pena ver os filmes deste Senhor, quer queiramos levantar o "astral" quer queiramos ficar estupefactos pelos discursos e ideias acutilantes que atingem sem qualquer piedade a nossa consciência sobre as nossas acções, quer queiramos chorar ou rir (mais provável). O mais certo é que haverá sempre um sentimento de identificação com a história, quer seja connosco quer seja com alguém que conhecemos, não pelas acções mas pelos valores.