domingo, 7 de junho de 2009

Férias

Quando chego a Portugal há um período de adaptação ao quotidiano e às rotinas que me custam mais do que deviam. Nota-se claramente que sou um animal de hábitos. Agora já estou dentro da "normalidade".

A minha última viagem a Angola não foi das melhores. Espero que a próxima viagem, agendada para dia 19 de Julho (pois... passarei novamente o meu aniversário fora.. 3 anos consecutivos... mesmo bom) não seja tão atractiva para as doenças como a que passou. Tirei mais algumas fotos que, por motivos técnicos, não consegui colocar no blog. Aqui vão elas.

Mas vim aqui escrever umas coisas porque já há muito tempo que não o fazia e como vou estar fora 2 semanas depois seria muito tempo sem dar sinal de vida virtual. Eu e a minha alma gémea vamos de férias durante 2 semanas para a Europa Central. Vou a Budapeste, Viena e Praga. Fotos neste blog ficam aqui prometidas. Estou a precisar de descanso. Tenho estado cheio de trabalho (e com o meu amigo stress) que não me tem deixado relaxar nem ir ao Yoga ou ir nadar. O ponto alto (ou baixo dependendo do ponto de vista) foi me terem colocado na posição de team leader da minha equipa cá de Lisboa na ausência do meu colega que está agora em Luanda. É uma situação mesmo boa para criar inimigos...

Bem, já estou atrasado para o avião... as usual.

sábado, 16 de maio de 2009

Regresso

Estou num dilema. Durmo ou não. Faço directa ou não.

Vim agora de uma saída à noite, com os meus colegas tugas. Eles ficam mas eu vou-me embora hoje. Tenho que sair do hotel daqui a 2 horas. Tenho um avião para apanhar para a minha querida terrinha e ainda estou um pouco tonto da pouca bebida que bebi (pois, é fácil...). Fui a um jantar onde comi pela primeira vez, que não no hotel, bacalhau. Depois foi só curtir a música no Chill Out. Não sei porque mas aqui consigo gostar mais da música e do ambiente do que em Lisboa. O facto de ser ao ar livre e ao lado da praia deve ajudar. Quem me dera ter aqui comigo as pessoas de quem gosto para partilhar com elas um pouco deste momento...

Bem... se calhar vou só passar pelo sono.

Até já... em Portugal.

domingo, 10 de maio de 2009

Marx vs Angola

Já passou uma semana desde que escrevi pela última vez. Não tenho tido vontade de escrever. Tenho andado completamente empenhado em curar as minhas maleitas que surgiram na semana que findou. Sim, mais doenças. Esta viagem tem tido o seu qb de doenças. Nunca me tinha acontecido.

Ora bem, na 3ª foi um belo de um caril de frango que me arruinou o sistema todo. Tinha que ser comida oriental... Nem a pesadíssima cozinha angolana alguma vez me afectou. Antes disso, no Domingo, acordei com uma valente dor de garganta (acho que foi por ter levado com o ar condicionado do carro depois de vir ainda quente da pista de dança do Chill Out - ah pois, grande noite de música house). Na 4ª, a "chega-te para lá" febre tomou as rédeas dos meus sintomas e levou-me à clínica de saúde Sagrada Esperança na 5ª. É uma clínica privada que é conceituada aqui, dada a sua origem: foi a Endiama, empresa de diamantes de Angola, que a fundou. Antes para os funcionários, agora para quem tem dinheiro ou para quem trabalha nas empresas que têm acordos com ela. E eu sou um desses espécimes, que tem esse benefício quando aqui estou desterrado. Mas, como é óbvio, tinha que acontecer algo que me fizesse ir aos arames. Depois de me ter identificado, com todos os cartões que tinha ao meu dipôr para provar a que empresa pertenço, diziam que não constava na lista dos funcionários. Ai o c....!! "Desculpe, mas não o podemos atender se não for o senhor a pagar", disseram-me (e eu, de repente, vi a minha conta bancária a ir a zeros em 4 segundos... mas depois recompus-me). "Então se até os meus colegas consultores que são externos à empresa vêm aqui e são atendidos, como é que eu, que faço parte dos quadros, não posso ser atendido?", ripostei. Mas depois lá me atenderam. Que falta de informação/formação que ainda existe em sectores públicos onde se paga uma pipa da massa! Enfim. Ah, fiz análises ao sangue, coisa que nunca pensei em fazer num país do terceiro mundo, já que a relação que tenho com as seringas, injecções e derivados, não é lá muito famosa. Mas correu lindamente. Portei-me como um homenzinho, sem antes lançar a habitual "bjarda" para pôr pressão no enfermeiro "Não gosto lá muito disto.", porque caso corresse mal, poderia sempre dizer "Eu avisei.". Tão simples quanto isto. Não é másculo? Pois, mas quero lá saber. Escusado será dizer que demorou bastante mas como estou habituado ao hospital S.Bernado de Setúbal...



Há coisa que me irritam aqui. Deve ser a 78ª vez que digo isto aqui. Uma delas é ter que pagar 21 USD por uma sandwish... fria de perú e não sei quê (ah, e umas quantas batatas fritas de pacote, metade queimadas). Só aqui! Se calhar no Zimbabwé também deve ser engraçado... com aquela taxa de inflação de 3 ou 4 dígitos...

Outra coisa é este país/governos equiparar o petróleo ao pão (nem sei se a água é) porque são ambos bens de primeira necessidade. Primeira!! Os combustíveis não são taxados aqui. E depois andam a pedir dinheiro emprestado à China, em troco de petróleo e de mão de obra (são mais chineses que portugueses...quase) que consiga erguer os edifícios gigantes de escritórios no centro de Luanda, cujos futuros funcionários não vão ter sítio para estacionar o carro porque... não há simplesmente parques nem mais um espacinho para tal. Caos! A polícia lançou agora um novo código da estrada, distribuindo uma lista de infrações e respectivas multas. O valor mais baixo é 65000 KWZ, ou seja, 650 € para quem não tenha a pala do sol colocada. É óbvio que quem se vai safar bem são os polícias que já vão poder comprar as televisões e coisas parecidas à pala das "gasosas". Vão multar os candongueiros que não estiverem legais (qual é que está?!qual é a lei para estes "taxis" sem lei?!) e estes têm que ter cintos em todos os assentos. É que não estão a ver bem. Aquelas carrinhas são umas autênticas camionetas apinhadas de gente. É apenas uma carcaça de metal, 4 rotas, 1 volante, 3 pedais (não sei se têm o travão) e a manete da mudanças e.... 15 pessoas lá dentro na boa (pronto, também tem assentos para 8 pessoas). Resultado, muitos (muito mesmo) tiveram que parar, as pessoas têm que arranjar alternativas de transporte, já que este era/é o transporte do povo para todo o lado, inclusíve para os empregos. Alternativas.... autocarros que só se vêm quando rei faz anos? Não percebo este pensamento completamente anti-social. Primeiro tiram-se as coisas às pessoas, depois, um dia quem sabe, pensa-se em solucionar o problema criado pela primeira medida.

Outra história deste país. Tenho colegas que moram nos arredores de Luanda que se levantam às 4h da manhã para estarem no emprego a horas. Vêm de carro e se se levantarem 1 horas que seja mais tarde já vão chegar tarde. O trânsito que vem de fora de Luanda para a cidade é absurdo. São filas de 3 horas todos os dias. E a multidão que faz isto todos os dias. O meu motorista, rapaz novo, depois de me deixar depois do trabalho, se for às 19/20h, diz que já vai chegar perto das 23h a casa. Depois levanta-se às 4. Todos os dias. Como milhares de pessoas que moram fora de Luanda. Na minha viagem para cá, ainda era de noite quando aterrei. Lá de cima via-se uma linha de luzes amarelas de dezenas de quilómetros para fora da cidade. Incrivelmente assustador. Ao início pensava que era iluminação da estrada. Mas eram carros.

Fogo, já é tarde e já escrevi tanto! Entusiasmei-me. Ainda me esquecia das coisas e assim está aqui tudo :) Já agora, uma amostra de uma zona fora da cidade nestas fotos do ano passado, numa saída minha para o terreno em trabalho.


E este fim de semana já acabou... estive a trabalhar e a recuperar. E passou tão depressa. E assim entro na minha última semana por estas bandas.

domingo, 26 de abril de 2009

Tic Tac Tic Tac

O tempo aqui passa rápido. Rápido demais para tudo o que tenho ou gostaria de fazer. Parece que este sentimento corre atrás de mim. Passa muito rápido, rápido demais. Por outro lado, as coisas neste país correm a uma velocidade incrivelmente... lenta. E isto afecta-me, atrasa-me... irrita-me!

Ando muito irritadiço. Porque será?

Vinha aqui partilhar umas fotos. Já nem me lembro quais eram... vou procurar. Só um instante.

No outro post falei sobre o meu quarto e tal... aqui está uma amostra. Esta cama é divinal. A net é horrível. Ainda é mais lenta que os modens de 56kbps... aqueles que faziam a som irritante "triiiiii truuuuuu triiiii trrruuuuuuu" etc etc. Conseguem imaginar coisa mais lenta que isto? Pois...


A vista para a baía foi esta, da foto seguinte. Foi porque era a do quarto onde estava antes de mudar. Agora, já não é bem assim.


Lá ao fundo a famosa ilha. Era uma ilha mas os portugueses fizeram uma pequena ponte que agora a liga ao continente. É lá que está a maioria dos restarante caros e onde se come melhor. Ainda hoje fui lá, à praia do bar/restaurante Caribe. Estava apinhado de gente (de todas as cores). Um raio de um bitoque, um miserável bitoque e um sumo natural de ananás custou-me 40USD!! Mas a quantidade de pessoas que lá estavam a comer à grande... enfim... por mais vezes que aqui venha ainda não me habituei a isto. Ainda no outro dia, depois das chuvas enormes que aqui ocorreram e de tempestades no mar, muitas casas da ilha foram invadidas pela força do mar. O que é que fizeram para ajudar as pessoas? Toca a tirar os bulldozers da garagem e a demolir o que ainda resta para que não exista a menor dúvida que já não se pode ali morar, nem mesmo depois de uma pequena molha. Resultado: famílias desalojadas sem dó nem piedade. Tudo bem se me disserem que têm que requalificar a zona (porque precisa mesmo... muita miséria e fica mal aos olhos dos investidores etc etc). Ficaram sem casa, mais pela demolição do que pelas chuvas e ondas do mar. E onde é que essas famílias foram parar? Isso agora não interessa nada, o que interessa é o projecto urbanistico (LOL) que está em curso pelo (pouco corrupto) governo para essa zona "nobre" de Luanda. Casas ou bairro social? O que é isso? Dá dinheiro? Não. Então não quero. Hoje passei por lá e é só entulho. Outra questão pertinente. Quando é que agora vão tirar de lá esse lixo resultante da demolição? Opah, isso dá muito trabalho... aposto que ainda lá estará quando eu voltar novamente a Angola. Estou sem fé neste país.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Take it to the next level

Só queria partilhar este vídeo convosco. O realizador é Guy Rithie. Isto é que é mesmo elevar a publicidade a outro nível.